... tic tac...tic tac..
O som do relógio chega como uma musica amarga.
Ribombei-a nos trilhos do trem que insiste a se aproximar.
Marca em seus ponteiros nove horas e cinquenta e quatro minutos.
Está quase na hora.
Sinto as lagrimas teimarem em se formar.
Força.
É.
Os rostos estranhos vão se aproximando, está quase na hora.
Poderia congelar o tempo ali, te segurar e não te deixar partir.
Te envolver em meus braços até se perder.
Todos esperam ansiosos pela explosão do motor.
Pelo tremor dos ferros.
Que barulho é esse? Um pulsar!
Posso ouvir as batidas desesperadas de meu coração,
Intercaladas com minha respiração ofegante.
E novamente elas se formam.
Força.
O tremor, procuro com os olhos,
Meu corpo inteiro treme em um ritmo distinto.
Força.
Perdida, me encontro em seus olhos apagados pela saudade que sentirá.
Respiro bem fundo em busca de ar.
Seguro sua mão na esperança de te fazer sentir aquilo que tantos anos guardei tão fundo.
Sua pele macia, quente pela tensão do momento.
Sempre tão forte, tão sereno.
Mas dessa vez não, dessa vez seus olhos te entregam.
Seu sorriso, me conforta.
Ao mesmo tempo me desespero, com medo de nunca mais poder ve-lo.
Tic tac... tic tac...
O relógio aponta nove horas e cinquenta e oito minutos.
Se meu coração não batesse tão forte, eu seria capaz de ouvi-lo.
"Porque a vida tá' fazendo isso com a gente?"
- A vida gosta de brincar as vezes!
Estou aqui para te dizer apenas " Até breve".
Os fios de cabelo me acariciaram, como quem quer te dar um tapa de amor.
Com o furacão que se aproximava.
Parou como uma besta indomável.
E o arrancou de mim.
Até.






