Olhando em seus olhos ela podia ver novamente.
Aquele jovem de antes, com o sorriso torto e as sobrancelhas arqueadas.
Ela podia sentir que ele ainda era o mesmo, o mesmo sonhador.
Só judiado pelo tempo.
Sentados naquele mesmo sofá, que o tempo também não preservará.
Ela envolta em seus braços como de costume, seus longos braços.
Sentia-se protegida, guardada, como se nada pudesse lhe atingir, ali.
A mesma sensação.
Isso o tempo não mudará.
A velha parede de madeira lhes trazia grande nostalgia.
O grande amor, os pensamentos, o medo de serem péssimos pais.
- No que você está pensando agora? - Isso ela nunca perdera o costume.
- Nos nossos planos. Em como eles mudaram. Como saíram do eixo de uma maneira muito boa.
Ela maneou a cabeça em sinal de concordância, e continuou ouvi-lo.
- Eramos tão inseguros, tínhamos tanto medo.
- Atoa.- Gesticulou com os lábios com resto de batom, depois de um dia cansado.
Ele a olhou novamente, hipnotizado que mesmo depois dos anos passarem, ela era linda.
Gostava muito de como sua beleza se realçava em meio ao por do sol de outono.
A mesma mecha de cabelo que caia sobre sua face, seus olhos esmeralda, sempre tão vivos.
Sabia que se tirasse um retrato dela, ali, tão vulnerável, não precisaria de nenhum filtro para tornar aquela foto incrível. O momento se encarregaria disso. Prosseguiu;
- Não somos péssimos pais, como temíamos, fizemos até o momento um ótimo trabalho, ela está viva. - Rio da própria piada.
Ela acrescentou logo a seguir;
- Tem meus olhos, teu sorriso, meu cabelo, meu queixo, meu nariz... Fizemos um ótimo trabalho em todos os sentidos.
- Pelo jeito, minha participação foi pequena.
- Mas essencial. Teu sorriso...- Ela sabia que fora este o grande motivo para que viesse se apaixonar, o sorriso, diferente, único. O mesmo sorriso que há acalmava quando tinha medo, quando estava irritada, que a apoiava e confortava.
Quem diria, largarem todos os sonhos, todos os planos e desejos, tudo. Para viverem um amor, um amor tão forte, que mudou o curso das coisas sem ao menos pedir licença.
Seu beijo ainda lhe causava o mesmo arrepio do primeiro beijo. Sua mão suava, e a vontade de abraça-lo e nunca mais soltar, continuava a mesma.
O tempo passa, mas o amor nunca fora tocado.






