sábado, 13 de fevereiro de 2010

Damned Silence


Disclaimer: Alguns dos personagens apresentados nesta história pertecem ao autor André Vianco, a escrita não tem fundos financeiros.


O quarto parecia realmente vazio. A escuridão costumava me enganar em vários momentos, mas eu sabia que, em algum lugar, ele estava lá. Mesmo que fosse apenas em meus pensamentos. Lá ele sempre estaria, em minha mente.

Obriguei-me a forçar a visão para, de alguma maneira, tentar enxergá-lo. Apenas sombras, mas eu podia sentí-lo. Como se sente uma coisa que não está?

Vaguei meus olhos por todo o quarto, senti uma tranqüilidade imensa quando o vi. Poderia ser mais uma de minhas ilusões, mas ele estava ali. A me observar, a fitar-me com seus olhos azuis.

- Miguel? – Por mais retórico que fosse meu chamado, lá dentro eu tinha a esperança de que ele me respondesse.

Nada. Apenas o maldito silêncio que me corroía por dentro e, mais uma vez, a horrível sensação de estar só.

Miguel partiu e levou com ele tudo de bom que habitava em mim, só me deixou com as lembranças dos melhores meses que já vivi. Lembranças que acabam comigo, que me enchem de sonhos, de ilusões. Todas as noites são assim: fico na espera de que ele venha me confortar com seus toques gelados. Por mais gelados que fossem, eles conseguiam me aquecer, me acalmavam. Quando o medo me dominava, lá estava ele, pronto para me proteger de tudo. De todos.

Venha comigo, tu ficarás segura”. Ele sempre me dizia, quando sentia que eu estava com medo. Eu retrucava: “Só estou segura quando estou ao teu lado”.

Sei que agora tudo não passam de lembranças, as melhores lembranças que tenho. Só tenho medo de que o tempo as leve de mim, e aí não me restará mais nada.

FIM
Escrito por : Rafaela Zerbinatti
Beta Reader : Jane A. Doe