segunda-feira, 27 de abril de 2015

Resolvi desapegar de você, depois de muito estudar a teoria me ousei a tentar a pratica. Em minhas mãos úmidas por lágrimas segurei a caixa, bem forte. À fitei por um bom tempo, pra criar coragem. Pensei, respirei fundo uma centena de vezes. - Hora de começar a ajeitar essa bagunça.
Comecei pelas menos relevantes, primeira vez que te vi. Me lembro tão bem, como se fosse na noite passada. - Caixa. Primeira história que ouvi sobre você, teu passado, foi leve. - Caixa. O primeiro sorriso que você lançou para todos aqueles olhares admirados e embriagados, incluindo o meu, mas até então nada relevante para mim. - Vai pra caixa. Na verdade a primeira vez que nos falamos eu não me lembro, provavelmente eu estava em Nárnia. - Mas por via das dúvidas vai pra caixa. Talvez esse texto fique bem longo. 
O convite no facebook. - Caixa. A mensagem inbox, essa veio em um momento bem difícil da minha vida, mas veio me derrubando da cadeira. - Caixa. Caixa.
As primeiras conversas audaciosas e tímidas, o primeiro plano. - Vai tudinho pra dentro. O primeiro furo. - Lixo, quer dizer, caixa.
As suas primeiras mentiras, junto com o jogo do Brasil contra o México. Seu sorriso, minha primeira lembrança concreta dele. - Caixa, esse eu queria deixar no meu coração, mas preciso. 
Já pulo pro natal, teu abraço, agora vai ser mais difícil. Ah, aquele abraço que dói, porque você me aperta tanto que minhas costelas chegam a rangerem de dor, mas ainda assim, queria estar naquele abraço todo o tempo. O melhor abraço, me proteje das aflições, me perco, se você não estivesse me segurando eu poderia flutuar. - Ca…i…xa, com muita dificuldade. 
Seus olhos e seus olhares, eu consigo vê-los, quase posso tocá-los, tudo aqui dentro das minhas lembranças! Um abismo de desejo e pecado. No qual facilmente eu me jogo e me perco. - Na caixa. Sua voz, essa me faz tremer, sua voz entra por cada canto do meu corpo, penetra minhas veias e se misturam com meu sangue, que chega incendiando meu coração, que acelera a cada dó. Seu sorriso, seu cabelo. Ah, seu cabelo. Seu jeito indomável, de guerreiro, o mais forte. Como pode, ser tão forte, imponente, mas ter o coração mais mole que existe! Pior que eu. - Caixa. Suas lágrimas, essas se misturam com as minhas, foi o pior dia. Nunca mais. - Caixa. Seu desdém. Sua volta, sem falar na sua energia, que contagia cada um que esteja ao seu lado. Que delicia poder só estar perto de você, é uma sensação de puro êxtase. - Enfim, melhor colocar tudo na caixa. 
Hora de fechar a caixa, é difícil. É como enterrar um turbilhão de emoções. - lacrada.
Ao chegar na janela onde minha visão é o mundo, respirei tão fundo que meus pulmões reclamaram, pois não havia mais espaço para ar. É difícil desapegar das coisas, ainda mais de lembranças. O vento acaricia meu rosto, me convidando a soltá-la. É hora de jogar pro vento e deixar o mundo tomar conta. Fecho os olhos, tomo impulso e com toda a força que existe no meu ser eu a lanço. Com medo de ter cometido o maior erro, mas com alívio de dever cumprido.
Melhor coisa é encontrar os amigos nesta noite, só não contava que encontraria você. Vermelho é a cor mais quente. Me mantive forte, afinal tudo o que um dia senti por você tava à deriva em algum canto desse mundão. 
Então, você veio, com aquele abraço. Aquele que as costelas murmuram de dor. E junto com ele, recebi uma “caixada” bem no meio da minha cara.