Engraçado como tenho tanta inspiração, porém elas calam minhas mãos. Tenho observado, parada na estação, como o trem chamado vida passa tão depressa, às vezes mal posso acompanhar.
A falta de tempo, a pressa por viver, nos leva a esquecer de sensações e sentimentos que são tão necessárias quanto a respiração.
As vezes só quero dar um pause na vida, observar os detalhes.
E quanto tudo parece não fazer mais sentido, você desce na minha estação.
Quando mais achei que você havia dormido e perdido a parada, o trem se cala, as portas se abrem, e lá vem você.
Claro que com toda bagagem que a vida lhe deu, esbaforida, com medo, perdida nas mudanças, baqueada com o tapa na cara que a vida lhe deu.
Meu coração de fez em mil pedaços ao lhe ver, ali, tão frágil e vulnerável.
Dizem que o tempo é o único capaz de curar todas as feridas, porém o tempo as vezes é cruel, ele dilacera os corações mais apaixonados, os transformam em cacos de vidros que rasgam nossas almas, se é me permitido falar sobre elas.
Toco sua face lavada por pedaços de dor que se esvaem nas lágrimas, olho-te fundo nos olhos na esperança de sugar até a última gota de agonia que vem habitando teu coração.
E como impulso em resposta, desabo a chora, meu coração se parte ao lhe ver assim, foi a primeira vez! Era como se a vida tivesse me desferido um soco bem na boca no meu estômago, que se embrulhava a cada segundo que passava.
Meu coração em chamas, começou a dizer tudo que há muito tempo estava trancado a sete chaves, agora o que me estava reservado não importava mais...
- Posso cuidar de seus medo, de suas dores, torná-los tão imperceptíveis quanto a brisa que toca seu rosto, vou cuidar de ti, para que nunca mais sofra, e se um dia ousar cair, estarei lhe segurando, com toda a força que há em mim. - Junto com as palavras que brotavam de meus lábios, as lágrimas vertiam de meus olhos, que ainda estava molhados pelos fantasmas do meu passado, mas que dessa vez, não me impediu de tentar.
O relógio soou, sinal de que o trem irá partir, e você sem pronunciar uma única palavra, me olhava nos olhos, mas parece não poder enxergar. O trem soou seu apito, convidando a todos para embarcar. Você abaixou a cabeça, e sem me dizer uma palavra se quer, virou-se e partiu, mais uma vez, entrou no trem e seguiu seu rumo.
Dessa vez, por um instante, me pareceu que você pode sentir, por um instante eu senti que você me olhou nos olhos! Mesmo sendo impossível, sou apenas um fantasma do destino que sucumbiu em seus próprios sentimentos, todos os dias são assim, minha tentativa inútil, porém sincera de que você possa me enxergar, me sentir.
Fico vagando por essa estação, hora tão fria e vazia, hora tão cheia e escura! E por um minuto tudo para, e ali está você.






